Total de visualizações de página

segunda-feira, 20 de junho de 2011

REENCONTRANDO MEU COMPADRE ADÃO

Por volta de 1962, morávamos no Bairro da Água Doce, num casarão a beira da estrada Tapiraí-Juquiá que ainda era de terra. Nesta época,  numa outra casa próxima a nossa, veio morar uma família. Éramos onze irmãos e os nossos vizinhos em três. Logo fizemos amizade com os filhos dos vizinhos: Lurdes, Pedro e Lauro . Começava ali minha relação de amizade com a família do Sr Adão e da Dna Aparecida. . Íamos juntos a escola e brincávamos de fazer carvão, puxar madeira etc, imitando aos nossos pais e irmãos mais velhos.
Depois de alguns anos, nossa família mudou-se para Tapiraí e eles continuaram morando na Àgua Doce, porém nossa amizade continuou. De vez em quando, ia com minha mãe na casa deles, e eles também sempre que vinham a Tapiraí, chegavam na nossa casa.  Aprendi assim a gostar muito daquelas pessoas simples, amigas e companheiras, com quem sempre podíamos contar.  A família deles cresceu: nasceram os gêmeos Rose e Roberto e depois de mais algum tempo o Jacir.  Eram agora em seis irmãos.
Em 1972, meu pai faleceu. Dona Aparecida veio a nossa casa e lamentando o falecimento dele, disse que a idéia é que ele e minha mãe batizassem  seu filho Jacir.  Diante disso, colocou que gostaria que eu e minha irmã Alzeneide,  fizessemos em substituição a meu pai e minha mãe.  Prontamente atendemos o pedido. Na época , me senti muito orgulhoso em batizar uma criança,tendo eu  apenas 17 anos.
Porém o tempo passou e as coisas mudaram muito. Fui morar em Sorocaba,minha irmã Alzeneide casou-se e foi morar em Juquiá e minha mãe faleceu. Com tudo isso, acabei perdendo contato com o meu compadre Adão, minha comadre Aparecida e meu afilhado Jacir.
Recentemente, agora que voltei a morar em Tapiraí, minhas irmãs me alertaram que o Jacir ainda morava por aqui e sempre falava do padrinho dele. Assim sendo descobri onde ele morava e fui visitá-lo no último sábado.
Para minha surpresa, não encontrei apenas o Jacir, mas também meu compadre Adão e minha comadre Aparecida. Ambos com oitenta anos...ele saudável e lúcido, ela com a saúde um pouco debilitada. Conversamos sobre as coisas do passado . Jacir me falou do o seu trabalho junto com a sua companheira Gilda , da lida no cultivo do inhame e do gengibre. Enfim foi uma maravilhosa tarde de sábado. Confessou-me que de certa feita eu o ajudei a empurrar o carro dele que não pegava, porém sem que eu soubesse quem ele era, apesar dele me conhecer. Perguntei por que não havia me dito, e ele respondeu que foi por medo de incomodar.
Preciso agora dizer a ele, que pessoas como ele jamais incomodam e só alegram o meu viver.
Tudo isso  fez-me  lembrar daquela canção do Milton Nascimento que diz; “TODOS OS DIAS É UM VAI E VEM..A VIDA SE REPETE NA ESTAÇÃO...CHEGAR OU PARTIR, SÃO SÓ OS DOIS LADOS DA MESMA VIAGEM”
Que minha vida seja sempre repleta de idas e vindas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário