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sexta-feira, 29 de julho de 2011

RELIGIÃO NÃO DEFINE CARÁTER NEM PRIVILÉGIOS

Ao longo de toda a minha vida tenho visto pessoas que se acham superiores à outras, em função da religião pela qual optaram.  Vangloriam-se do próprio caráter dizendo que a sua fé é a única verdadeira e soberana e por isso mesmo quem acredita como ele é mais digno e honesto. Complementando, consideram que são privilegiados, diferenciados e merecedores de todas as benevolências de Deus.
Acho que esta posição, merece reflexão, na medida em que está carregada de preconceito e orgulho, qualidade que as próprias religiões condenam. Considero que as qualidades de caráter quase nunca são reflexo de religião. È um conjunto de valores advindo do meio em que a pessoa vive, e da própria genética que definiu propriedades características do seu cérebro. Assim sendo conheço pessoas extremamente religiosas e más e pessoas maravilhosas que não praticam religião nenhuma. Como exemplo disso podemos comparar Charles Chaplin , uma das pessoas que mais trouxe alegria ao mundo com Adolf Hitler. O primeiro era ateu e o segundo extremamente religioso. Mais recentemente , tivemos os episódios estrelados  por terroristas árabes fanáticos , impulsionados pela fé religiosa agregada a ignorância.
Também não vejo nas religiões uma fonte extrema de privilégios. Acontecem episódios bons e ruins , tanto com pessoas religiosas, como sem religião. Não vejo vantagem nenhuma em ter passado por situações extremas e difíceis e ter sido salva por Deus. Prefiro não tê-las enfrentado ou tê-las resolvido de forma satisfatória usando de bom senso, inteligência e honestidade comigo mesmo.
Para o sociólogo americano e estudioso das religiões Phil Zuckerman o ateísmo ainda é fonte de muito preconceito. Segundo ele, ateus sofrem até mesmo perseguições. “Mesmo atualmente, em algumas nações, ser ateu é passível de punição com pena de morte. Nos Estados Unidos existe um forte estigma em ser ateu, principalmente no sul, onde a religiosidade é mais forte”, conta.
No Brasil, um país laico, a intolerância pode aparecer nas situações mais improváveis. A professora da Universidade Federal de Minas Gerais Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva perdeu um filho de dois anos, atropelado. Diante do sofrimento da família no velório da criança, Vera escutou uma frase que a deixou bastante magoada. “Uma amiga me disse: ‘Quem sabe isso não aconteceu para você aprender a ter fé?’. Isso apenas reforçou minha convicção de que eu não queria acreditar em nenhum deus que pudesse levar o meu filho inocente”, revela.
Apesar de não ser tão enfático, Zuckerman admite que em alguns lugares do mundo o ateísmo não é mais visto como algo depreciativo. “Em muitas sociedades, como no Canadá e na Suíça, ser ateu não tem nada de mais. A Austrália, por exemplo, tem um primeiro-ministro ateu. Cada país tem uma dinâmica diferente.”
O filósofo Luiz Felipe Pondé, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP),  admite que muitas pessoas ainda têm dificuldade em enxergar a possibilidade de uma vida sem um deus. “Muitos associam moral pública à religião. Isso também é um absurdo. Pessoas matam umas as outras acreditando ou não em deus. O que acontece é que muitos ateus ficam alardeando coisas assim, mas acho que hoje o cenário já é bem diferente. Sofrer preconceito ficou chique”, afirma.
Assim sendo , considero que cada um tem a sua maneira de ser feliz e deve respeitar a forma do outro assim também o ser.  Mesmo porque se há um Deus ele tende a ser muito mais misericordioso do que vingativo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A VIDA NO PLANETA TERRA AINDA VAI DURAR 16 MILHÕES DE ANOS


Para aqueles que vivem pensando no juízo final, vai ai uma notícia de que esta preocupação é infundada.

Um estudo da Universidade do Kansas e do Instituto Smithsonian, ambos nos Estados Unidos, afirma que eventos de extinção em massa ocorrem no nosso planeta a cada 27 milhões de anos. Contudo, os cientistas afirmam que ainda vai demorar para isso ocorrer novamente, pelo menos alguns milhões de anos depois de 2012. As informações são do Daily Mail
A pesquisa investigou os chamados “eventos de extinção” do nosso planeta nos últimos 500 milhões de anos – um período duas vezes maior que qualquer estudo anterior – e afirma ter provado que eles ocorrem com a regularidade de um metrônomo. Segundo a reportagem, os pesquisadores dizem estar 99% certos de que esses eventos ocorrem a cada 27 milhões de anos.

Nos anos 80, os cientistas acreditavam que a regularidade dos eventos de extinção na Terra era resultante de uma estrela distante, chamada Nêmesis. A teoria afirmava que essa estrela se chocava contra a nuvem de Oort – um suposto cinturão de poeira e gelo que ficaria a 1 ano-luz do Sol e seria a principal fonte dos cometas que passam pelo sistema solar – a cada 27 anos, jogando uma chuva de cometas contra a Terra.

Contudo, a regularidade dos eventos de extinção descartaria a ação de  Nêmesis, já que sua órbita teria mudado durante este tempo por causa da interação com a força gravitacional de outras estrelas. “Dados de fósseis, os quais motivaram a ideia de Nêmesis, agora vão contra ela”, dizem os pesquisadores à reportagem.

De acordo com o estudo, o último desses eventos ocorreu há 11 milhões de anos e fez desaparecer 10% da vida no planeta. Isso significa que o próximo evento deve ocorrer em 16 milhões de anos – apesar de que, em alguns casos, a extinção em massa ter ocorrido 10 milhões de anos antes do previsto.

Um dos exemplos mais conhecidos de extinção em massa ocorreu com os dinossauros. A teoria mais aceita pela comunidade científica é a de que um asteroide, que atingiu o México, teria causado a morte de 50% de todas as espécies da Terra e abriu caminho para que os mamíferos dominassem o planeta. O asteroide tinha 15 km de diâmetro e acredita-se que o impacto teve uma força de 1 bilhão de bombas  atômicas de Hiroshima.
(Fonte: Portal Terra - Colaboração enviada pelo Geol. Nivaldo Bósio)



domingo, 24 de julho de 2011

A IMPORTÂNCIA DE SE TER UM AMIGO

Ao longo da minha vida tive grandes amigos. Pena que nem sempre a amizade tenha perdurado. Mudei muito de cidades, de empregos e de meios e com isso alguns amigos foram ficando a beira da estrada da vida. As maravilhas da tecnologia tem me trazido alguns de volta. Se há algo que me faz feliz e quando reencontro no Orkut ou no Facebook uma daquelas pessoas com as quais convivi por longo período e cuja distância nos separou.

“A amizade é um vínculo simétrico, em que vemos o outro ser humano como nós. É um espelho”, afirma a psicóloga Cecília Zylberstajn, de São Paulo. Para ela, é muito saudável se preocupar com o outro e ter quem se preocupe com a gente. Por isso, quando o assunto é amizade, as diferenças de idade, comportamento e até crenças são minimizadas. O que importa é ter com quem compartilhar e zelar para este sentimento manter-se fortalecido

Alguns relacionamentos de amizade são tão improváveis que parecem ter tudo para não vingar. Mas vencem as barreiras. A  receita para uma amizade vingar é respeitar os limites de cada um.

A amizade, como qualquer relação, precisa se acomodar às mudanças. Para que ela continue, os dois lados precisam reinventar e se esforçar para manter o contato e encontrar gostos em comum para que a amizade se justifique.  Portanto, uma amizade que perdure pela vida precisa acompanhar o ritmo das mudanças e aguentar as oscilações da vida. Este é o segredo.

Me lembro de um velho freqüentador do armazém do meu pai que costumava repetir quase todo dia; “Saúde e amizade é a receita da felicidade. “ Talvez devesse incluir ai a necessidade de também se ter um amor, no resto a frase é perfeita

Assim sendo, nesta semana em que se comemorou o dia do amigo, resta-me encerrá-la com a bela frase da canção do Milton Nascimento: “ Qualquer dia amigo....a gente vai se encontrar.....”.. Obrigado meus amigos por terem feito parte da minha vida!

sábado, 23 de julho de 2011

A INFIDELIDADE AO ALCANCE DE TODOS


Tenho verificado nos últimos anos mudanças importantes no quesito Fidelidade Conjugal . Não que as pessoas tenham se tornado, mais ou menos infiéis, mas na forma como a questão vem sendo tratada pela sociedade como um todo.
Há quarenta anos o machismo ainda  prevalecia e havia aquele conceito de que o homem podia e a mulher não podia trair o seu parceiro . Juridicamente existia a “legitima defesa da honra” em que homens eram absolvidos do assassinato de esposas por que estas os haviam traído.
Porém os conceitos evoluíram com o tempo e a legislação foi ajustada, excluindo-se o crime de “adultério” do código penal e modernizações no código civil . Assim trair o parceiro numa relação conjugal passou a ser algo mais normal e menos condenável. Por outro lado a luta feminina pelos seus direitos também elevou a condição da mulher que passou a não ser mais culpada que o homem num processo de traição.
Recentemente com  a evolução tecnológica surgiu a internet e os sites de relacionamento facilitando a comunicação  , tornando a traição muito mais fácil, na medida em que as pessoas encontram e reencontram pessoas a todo momento e isso acaba por induzir mais facilmente a infidelidade.
Para a psicanalista e pesquisadora Regina Navarro Lins, articuladora do Portal IG,  tais sites apenas refletem uma mudança comportamental que vem acontecendo desde a década de 70 e que está provocando o declínio do chamado amor romântico. “Esse tipo de amor prega a fusão entre os amantes, que os dois vão se transformar num só, que um só terá olhos para o outro, que quem ama não transa com mais ninguém, que não sente desejo por mais ninguém. Uma porção de mentiras”, analisa Regina.
“Atualmente há uma grande busca pela individualidade entre as pessoas. Com isso, o amor romântico está saindo de cena e está levando com ele uma das suas características básicas, que é a exigência da exclusividade sexual”, prossegue a psicanalista. “As pessoas não deveriam se preocupar tanto com a fidelidade. Elas só deviam responder a duas perguntas. Me sinto amado? Me sinto desejado? Se a resposta for ‘sim’, o que outro faz quando não está comigo não é da minha conta”, finaliza Regina.

O psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex), não acredita que estes sites incentivem a traição. “A pessoas que usam esse serviço já tinham o desejo de trair. Elas fariam isso de qualquer forma”. Ele ainda lembra que se o caso extraconjugal for de conhecimento do marido ou da esposa, não pode ser considerado como traição de fato. “Tudo depende do tipo de acordo que tem o casal”, pondera o especialista.

Parece que está ficando cada vez mais difícil ser fiel. Com tanta oferta, só não trai quem não quer

quarta-feira, 20 de julho de 2011

RESPEITO AO PEDESTRE: O MARAVILHOSO EXEMPLO DE PIEDADE

O Código Nacional de Trânsito Brasileiro em seu capitulo IV , define as regras para o relacionamento entre motoristas e pedestres . Veja o que está definido:
“Art. 68. É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios ou passagens apropriadas das vias urbanas e dos acostamentos das vias rurais para circulação, podendo a autoridade competente permitir a utilização de parte da calçada para outros fins, desde que não seja prejudicial ao fluxo de pedestres.
§ 1º O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres.

§ 2º Nas áreas urbanas, quando não houver passeios ou quando não for possível a utilização destes, a circulação de pedestres na pista de rolamento será feita com prioridade sobre os veículos, pelos bordos da pista, em fila única, exceto em locais proibidos pela sinalização e nas situações em que a segurança ficar comprometida.

§ 3º Nas vias rurais, quando não houver acostamento ou quando não for possível a utilização dele, a circulação de pedestres, na pista de rolamento, será feita com prioridade sobre os veículos, pelos bordos da pista, em fila única, em sentido contrário ao deslocamento de veículos, exceto em locais proibidos pela sinalização e nas situações em que a segurança ficar comprometida.

§ 5º Nos trechos urbanos de vias rurais e nas obras de arte a serem construídas, deverá ser previsto passeio destinado à circulação dos pedestres, que não deverão, nessas condições, usar o acostamento.

§ 6º Onde houver obstrução da calçada ou da passagem para pedestres, o órgão ou entidade com circunscrição sobre a via deverá assegurar a devida sinalização e proteção para circulação de pedestres.

Art. 69. Para cruzar a pista de rolamento o pedestre tomará precauções de segurança, levando em conta, principalmente, a visibilidade, a distância e a velocidade dos veículos, utilizando sempre as faixas ou passagens a ele destinadas sempre que estas existirem numa distância de até cinqüenta metros dele, observadas as seguintes disposições:

I - onde não houver faixa ou passagem, o cruzamento da via deverá ser feito em sentido perpendicular ao de seu eixo;

II - para atravessar uma passagem sinalizada para pedestres ou delimitada por marcas sobre a pista:

a) onde houver foco de pedestres, obedecer às indicações das luzes;

b) onde não houver foco de pedestres, aguardar que o semáforo ou o agente de trânsito interrompa o fluxo de veículos;

III - nas interseções e em suas proximidades, onde não existam faixas de travessia, os pedestres devem atravessar a via na continuação da calçada, observadas as seguintes normas:

a) não deverão adentrar na pista sem antes se certificar de que podem fazê-lo sem obstruir o trânsito de veículos
Art. 70. Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste Código.

Parágrafo único. Nos locais em que houver sinalização semafórica de controle de passagem será dada preferência aos pedestres que não tenham concluído a travessia, mesmo em caso de mudança do semáforo liberando a passagem dos veículos
Art. 71. O órgão ou entidade com circunscrição sobre a via manterá, obrigatoriamente, as faixas e passagens de pedestres em boas condições de visibilidade, higiene, segurança e sinalização.”
Portanto a Lei é bastante clara e correta. No entanto o que se vê em quase todas as cidades brasileiras é um total desrespeito a esta lei, tanto pelos motoristas como pelos pedestres, sem nenhuma punição a ambos.
Porém , na área urbana de Piedade tenho verificado que criou-se uma cultura de obediência a  estas regras, embora ainda existam muitos motoristas e pedestres indisciplinados.
No meu dia a dia , circulando por Piedade , tenho me questionado o porque de a lei ter pegado por aqui, sendo que na quase totalidade do país ainda não pegou.
Visitando o site da Prefeitura deparei com a notícia que transcrevo a seguir:


“A Prefeitura, por meio da Diretoria de Trânsito e Transporte Coletivo (DITRACOPI), iniciou, dia 11, um trabalho de organização do trânsito nas ruas principais da região central. Dois agentes de trânsito realizam a difícil tarefa de disciplinar a locomoção de pessoas e veículos. Ambos são servidores concursados em Piedade e treinados pela URBES – Empresa de Desenvolvimento Urbano e Social de Sorocaba, sob coordenação do DETRAN – Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo.  
No primeiro momento, esses profissionais terão duas funções: orientar o trânsito nos locais onde o fluxo é mais intenso e realizar campanhas educativas, principalmente nas escolas. Posteriormente, atuarão na fiscalização efetiva por meio de abordagem. Ainda poderão elaborar auto de infração de trânsito, conforme prevê a Lei Municipal nº 4101/2010, que criou o cargo.
Nos horários de pico (das 12h às 14h e das 17h às 19h) os agentes estarão organizando o trânsito nos cruzamentos principais. Nos outros períodos do dia vão fiscalizar locais de Zona Azul, as vagas destinadas aos portadores de deficiência,
carga e descarga de caminhões
Portanto concluo que nada vem de graça. Existe uma preocupação do poder público com relação ao problema, daí decorrendo o privilégio.
Resta-nos portanto dar os parabéns ao motoristas, pedestres e autoridades de Piedade pelo exemplo que estão dando ao restante do país. Que o exemplo se multiplique.

domingo, 17 de julho de 2011

POR QUE FICAMOS TRISTES QUANDO O BRASIL PERDE....?


Há poucos minutos acabou o jogo da seleção brasileira na copa América contra o Paraguai, em que O Brasil perdeu  por pênaltis depois de um jogo em que dominou todo o tempo.
Estou triste com isso. Não sei bem porque, mas sempre sinto isso depois de uma derrota da nossa seleção.  Foi assim em todas as copas que perdemos e hoje não foi diferente.
Nosso país sempre perdeu em quase  tudo. Temos muita corrupção, temos péssima educação, nunca ganhamos um  prêmio Nobel, a saúde pública é deplorável, estamos destruindo nossas florestas, enfim tudo isso de certa forma me entristece, porém no futebol só o Brasil ganhou cinco títulos. Portanto talvez daí esta tristeza. Nem no futebol a gente ganha mais!
Porém tem algo de bom nisso tudo...Talvez a gente passe a dar mais importância a outras coisas. O foco sai do futebol e vai para a saúde , a educação, a cultura, as desigualdades sociais...Enfim aquilo que de fato é problema.
Vou ouvir alguns sambas alegres nesta noite e esquecer aquelas péssimas cobranças de pênalti. Pelo menos no samba ainda somos os melhores do mundo! Será?

sábado, 16 de julho de 2011

“Nós educamos os filhos para que eles usem drogas”


Transcrevo aqui na integra , matéria publicada no Portal IG: ULTIMO SEGUNDO,  nesta quinta-feria, dia 14/07/2011, com entrevista do tapiraiense Içami Tiba

“Em entrevista, o psiquiatra Içami Tiba redefine os papéis de pais e de educadores e alerta para os perigos da “cultura do prazer”

Uma pergunta que nunca sai – ou ao menos nunca deveria sair – da cabeça de pais e professores é “como educar as crianças de verdade?”. Autor de livros como “Adolescentes: quem ama educa!” e “Disciplina: Limite na Medida Certa” (ambos da Editora Integrare), o psiquiatra Içami Tiba responde esta e outras questões relacionadas à educação em seu novo livro, “Pais e Educadores de  Alta Performance”
Com 43 anos de experiência em consultório, Içami alerta os pais para os perigos da cultura do prazer. “Nós educamos os filhos para que eles usem drogas”, comenta, avaliando a atitude de pais que oferecem tudo sem exigir responsabilidade em troca. Para ele, a família é a principal responsável pela formação dos valores e não deve jogar esse papel para a escola. Mas as escolas, por terem um programa educacional organizado, podem guiar os pais.
Leia a entrevista com o autor :
iG: Qual a responsabilidade dos pais e qual a dos educadores na educação das crianças?
Içami Tiba: 
A família continua sendo a principal responsável pela educação de valores, mas é importante que haja uma parceria na educação pedagógica. As crianças viraram batatas quentes: os pais as jogam na mão dos professores, os professores devolvem. Pais precisam ser parceiros dos professores. Quem tem que liderar a parceria, no começo, é a escola, pois tem um programa mais organizado. Com a parceria, ambos ficam fortes. Os pais ficam mais fortes quando orientados pela escola.

iG: O que é mais importante na educação de uma criança?
Içami Tiba:
 É exigir que ela faça o que é necessário. Os pais dão tudo e depois castigam os filhos porque estes fazem coisas erradas. Mas não é culpa dos filhos. Afinal, eles não querem estudar porque estudar é uma coisa chata, mas alguma vez ele fez algo que é chato em casa? No final, a criança estica na escola aquilo que aprendeu em casa. A educação é um projeto de formar uma pessoa com independência financeira, autonomia comportamental e responsabilidade

iG: Como os pais podem educar bem seus filhos? Qual o segredo?
Içami Tiba:
 Um pai de verdade é aquele que aplica em casa a cidadania familiar. Ou seja, ninguém em casa pode fazer aquilo que não se pode fazer na sociedade. Os pais devem começar a fazer em casa o que se faz fora dela. E, para aprender, as crianças precisam fazer, não adianta só ouvir. Elas estão cansadas de ouvir. Muitas vezes nem prestam atenção na hora da bronca, não há educação nesse momento. É preciso impor a obrigação de que o filho faça, isso cria a noção de que ele tem que participar da vida comunitária chamada família.

iG: No livro, o senhor comenta que uma das frases mais prejudiciais para se falar para um adolescente é o “faça o que te dá prazer”. Por quê?
Içami Tiba:
 O problema é que essa frase passa apenas o critério de prazer e não o de responsabilidade. Nós queremos que nossos filhos tenham prazer sem responsabilidade. Por isso eles são irresponsáveis na busca deste prazer. E o que é uma droga, senão uma maneira fácil de se ganhar prazer? A pessoa não precisa fazer nada, apenas ingeri-la.Nós educamos os filhos para que eles usem drogas. Se ele tiver que preservar a saúde dele, pensa duas vezes.

iG: Por que você  acha que alguns pais não ensinam os filhos a ter responsabilidade?
Içami Tiba: 
Não ensinam porque não aprenderam. Estes pais querem ser amigos dos filhos e isso não faz sentido. Provedor não é amigo.

iG: Por que o pai não pode ser só amigo ou só provedor?
Içami Tiba: 
Não pode ser amigo porque pai não é uma função que se escolhe, e amigos você pode escolher. O filho é filho do pai e tem que honrar os compromissos estabelecidos com ele. Um filho não pode trocar de pai assim como troca de amigo, por exemplo. Por outro lado, o pai que é unicamente provedor, como eram os de antigamente, também não dá uma educação saudável ao filho, afinal ele apenas dá e não cobra. Pai não pode dar tudo e não controlar a vida do filho. Quando digo controle, quero dizer que o pai deve fazer com que o filho corresponda às expectativas, que o filho faça o que precisa ser feito. Um filho não pode deixar de escovar os dentes ou de estudar e o pai não pode deixar isso passar.

iG: Como a meritocracia pode ajudar na criação?
Içami Tiba:
 O mundo é meritocrata, os pais se esqueceram disso. Ganha-se destaque por alguma coisa que a pessoa fez; se não mereceu, logo o destaque se perde. Dar a mesma coisa para o filho que acertou e para o que errou não é bom para nenhum dos dois. É preciso ser justo. Os pais precisam aprender a educar, não dá para continuar achando que apenas porque são bonzinhos vão ser bons pais. Não adianta muito um cirurgião apenas amar seu paciente; para fazer uma boa cirurgia é preciso ter técnica. É a mesma coisa com os pais.

iG: Amor e educação combinam com disciplina?
Içami Tiba: 
Disciplina é a coisa que mais combina com a educação. É uma competência que você desenvolve para atingir o objetivo que quer. Se você ama alguém, tem que ter disciplina. Os pais precisam fazer com que os filhos entendam que eles têm que cumprir sua parte para usufruir o amor. Os pais precisam exigir.

iG: Como exigir sem agressividade?
Içami Tiba: 
O exigir é muito mais acompanhar os limites, aquilo que o filho é capaz de fazer. Não dá para exigir que ele vá pendurar roupas no armário se ele não pode arrumar uma gaveta. Por outro lado, os pais não podem fazer pelos filhos o que eles são capazes de fazer sozinhos. A partir daí, quando se cria uma segurança, a exigência começa a fazer parte da convivência. Essa exigência é boa. O pai não pode sustentar e não receber um retorno. É como se ele comprasse uma mercadoria e não a recebesse.

iG: No livro, o senhor diz que todos somos educadores. Como podemos nos portar para educar direito as outras pessoas?
Içami Tiba:
 Você quer educar? Seja educado. E ser educado não é falar “licença” e “obrigado”. Ser educado é ser ético, progressivo, competente e feliz.”