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quarta-feira, 3 de julho de 2013

A PRECARIEDADE DO SERVIÇO PÚBLICO BRASILEIRO

No dia a dia , onde eu vou sinto a deficiência do atendimento no serviço público brasileiro. Se necessitamos de um atendimento no sistema público da saúde deparamos com a dificuldade em marcar uma simples consulta, com a demora no atendimento, o atraso na realização de exames e a quase impossibilidade de realização de procedimentos mais sofisticados.
Na educção pública deparamos com uma escola em que os alunos não aprendem e nem desenvolvem sua capacidade de aprender sozinhos. Atraso tecnológico, gestão ultrapassada e falta de qualificação conduzem a falta de eficácia. Investimentos são desperdiçados pela falta e sincronismo entre pessoas, métodos e tecnologias.
E assim tenta caminhar o país por estradas mal cuidadas, sistemas logísticos inbecís, e uma infraestrutura que não se moderniza. Vivemos num país em que tudo funciona mal.
A ineficácia do serviço público brasileiro é gerada muito mais por problemas administrativos do que técnicos. É fruto da mente bitolada e adversa dos adminsitardores públicos barsileiros. Gente cuja  meta única é a realização de seus interesses  pessoais. O serviço público está carente de pessoas com visão estratégica, que pense em simplificar processos, eliminar tarefas desnecessárias e  reduzir custos focando a produtividade.
O pior de tudo é que o Brasil acostumou-se com um serviço público de baixa  qualidade e não reage a isto. A ineficiência e a ineficácia é conveniente para muita gente que aproveita-se disso para explorar a política de favores. Cria-se um cidadão dependente e agradecido quando algo funciona.
Competência para fazer bem feito e Ética para fazer com lisura é o que de fato está faltando. Continuemos pois a bater na mesma tecla , exigindo a substituição de administradores incompetentes por gente técnica capacitada.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

APELIDOS ENGRAÇADOS

Hoje logo pela manhã eu vi o neguinho. Quer dizer o Vicente Messias Filho.Será que é este mesmo o nome dele? Pode não ser , mas o apelido é com certeza. Ao longo da vida conheci muita gente com apelidos e incrivelmente o apelido é sempre mais forte que o nome.
Amigos de infância, colegas de faculdade, colegas de trabalho , amigos, conhecidos...São muitas as pessoas do meu convívio  que tem apelidos, alguns engraçados, outros nem tanto e alguns até com dose de preconceito, mas quase sempre sem maldade.
Algumas regras no mundo dos apelidos parecem infalíveis. Uma delas é que quanto menos a pessoa gosta do apelido, mais ele tende a pegar, até um ponto em que a situação se torna irreversível e ai o jeito é aceitar. Existem os apelidos domésticos familiares, carinhosos, as vezes no diminutivo que geralmente são bem aceitos, mas também existem aqueles que surgem com instinto gozador.
Alguns apelidos são geralmente aplicados a determinados tipos de pessoas. Eis alguns deles ;
Sapo = sujeito de boca grande
Parafuso=sujeito de cabeça quadrada
Deixa-que-eu-chuto= sujeito manco
Galinha (para homem) = sujeito mulherengo
Galinha (para mulher) = melhor nem citar
Galo = sujeito com cabelo em forma de crista
Cumbica /Pouca-telha/Aeroporto de mosquito/mikaiu= sujeito careca
Ganso = sujeito de pescoço comprido
Pinóquio= Narigudo ou mentiroso
Tamanduá ou quati=narigudo
Montanha = baixinho
Outra forma comum de apelido que surge é quando o individuo se parece com alguém famoso. Conheci inúmeros Tim Maias, Pelés, Robertos Carlos, Cetanos Velosos , etc.
Fiquei admirado em ver outro dia meu filho ser chamdo de Cesar Menoti...também quem mandou ser gordinho. E minha filha, coitada...tão magrinha na infância que a chamavam de “acidente com trator”. Ao indagar porque tão estranho apelido recebi a explicação de que era porque num acidente de trator a pessoa é amassada e fica fininha...coisas bem de criança. Também tive um amigo baixinho, cujo apelido era “mentira”. Ao indagar o porque veio a resposta: porque mentira tem perna curta.
Enfim , apelidar os outros é mais uma forma sutil de ser feliz dos brasileiros.
Detalhe: já fui “cartucho” e “PC Farias”. Atualmente sou só “Paulinho”. Até onde eu sei....


quarta-feira, 5 de junho de 2013

SAÚDE , EDUCAÇÃO E SANEAMENTO EM VEZ DE ESTRUTURA ADMINISTRATIVA

O Brasil possui atualmente 5.570 municípios e a Câmara dos Deputados acaba de aprovar projeto que possibilitará a criação de pelo menos 150 novos municípios.
As regras aprovadas  são um tanto quanto rígidas, visto que exigem alguns pré-requisitos como população mínima de 12.000 habitantes (nas regiões sul e sudeste), consulta prévia com aprovação de 20% dos eleitores, e aprovação pela Assembleia Legislativa que deverá avaliar as condições econômico-financeira, político-administrativo e socioambiental, porém ,abre uma brecha para o aumento da quantidade de municípios e consequentemente do aumento dos gastos públicos.
Os pequenos municípios em sua grande maioria são inviáveis economicamente, ou seja o que eles arrecadam está muito abaixo do que gastam, não por culpa das necessidades básicas como saúde, educação e infraestrutura, mas muito mais por conta dos gastos para manter a estrutura administrativa. São prefeitos, vereadores, secretários, diretores, chefes de gabinete, etc que recebem salários advindos  de verbas públicas que poderiam ser direcionadas as necessidades básicas, ou seja o atendimento a população acaba prejudicado pelo excesso de municípios.
Na verdade a criação de municípios atende a interesses menores e a máquina eleitoral . A criação de municípios só é mesmo interessante para os políticos  pelos cargos desnecessários e o aumento com folha de pagamento  que geram.

Acredito que a fusão de pequenas cidades poderia trazer benefícios significativos para as populações com a redução dos gastos públicos, melhorias na saúde, educação e infraestrutura e redução da corrupção . Porém difícil de acontecer diante dos interesses dos políticos gananciosos por cargos públicos.

sábado, 1 de junho de 2013

ESTÓRIA BONITA DE CIDADE PEQUENA

Desde que voltei a morar em cidade pequena, tenho visto estórias bonitas e feias por aqui. Algumas merecem registro. E esta é bonita e recente.
O velho Tibagir todo dia ia buscar pão. Antes do supermercado abrir, ele já caminhava com dificuldades com sua bengalinha, atravessava a avenida que também é rodovia e seguia pela ruazinha que beira o riacho. Passava pelas escolas em meio a criançada e ficava em pé ao lado da igreja, lateralmente ao supermercado. Ali ele esperava o Chiquinho ou o César chegar e abrir o supermercado. Então dirigia-se suavemente pela rampa e aguardava que as moças lhe trouxessem os pães. Religiosamente, chovesse, garoasse ou com sol  , isto acontecia.
Por aqui ainda se compra fiado. E não é fiado com cartão de crédito, nem cheque pré-datado, nem boleto bancário. É fiado daquele marcado no caderninho, cuja garantia única é a confiança. E inacreditavelmente não se perde muito. As pessoas em sua grande maioria pagam religiosamente suas contas . E o velho Tibagir era assim.
Mas na última semana a cena não se repetiu. O velho Tibagir não mais apareceu. A triste notícia deu conta de que ele faleceu em Curitiba após uma longa viagem para assistir um casamento. Diante do fato ,alguns comentaram : a última aposentadoria deveria ser recebida por alguém para quitar as contas. Mas diante do comentário a resposta do Chiquinho foi breve: “a conta dele já foi quitada...não recebo contas de quem já morreu...é uma lição antiga que aprendi com meu avô.” . E os olhos se encheram de lágrimas....
Isto contado pela minha mulher também emocionada,  me fez chorar...Talvez porque o avô do Chiquinho era meu pai que morreu antes mesmo dele nascer...

As lições do meu pai ficaram, e as estórias bonitas ainda acontecem por aqui. A vida é mesmo bela!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A FALTA DE QUALIFICAÇÃO DA MÃO DE OBRA ESTÁ MATANDO A INDÚSTRIA BRASILEIRA

O noticiário econômico mostra notícias nada interessantes. O crescimento do país nos primeiros meses do ano esteve bem abaixo da expectativa e isto significa que não estamos gerando os empregos necessários para absorver a mão de obra gerada pelos jovens que entram no mercado de trabalho.
A principal causa disso é a baixa competitividade do país a nível internacional, quesito na qual  vem perdendo terreno ano a ano. Competitividade é a capacidade que o país tem de oferecer produtos e serviços com qualidade e preço, num mercado altamente competitivo. A competitividade brasileira é baixa pelo excesso de impostos,pela falta de infraestrutura e principalmente pela falta de produtividade na indústria.
A baixa produtividade da nossa mão de obra acaba por onerar significativamente o custo dos produtos tornando-os muito caros e dificultando a sua comercialização. Nem a nível interno conseguimos competir com os produtos chineses e coreanos que chegam ao país a preços absurdamente menores do que os fabricados aqui. Esta baixa produtividade é causada principalmente pela má formação do trabalhador brasileiro que precisa ser capacitado dentro da própria indústria, visto que as escolas técnicas e universidade não conseguem formar a quantidade de pessoas necessárias para move-la.
Diante disso,  fica evidente a necessidade de melhoria da educação num prazo imediato, o que é substancialmente dificultoso numa estrutura educacional enferrujada e desmotivada pelos baixos salários dos professores.

Neste cenário, resta-nos arregaçar a mangas e oferecer o  que pudermos em prol de uma educação técnica mais eficiente e dinâmica. Nossas experiências precisam ser transferidas ao jovens para torná-los capacitados.

domingo, 26 de maio de 2013

A ESCOLA PÚBLICA PAROU NO TEMPO

                                                                                                                 
Trabalhei quase trinta anos em indústrias e agora estou professor. Digo estou porque o verbo  ” ser” dá uma idéia de longo prazo e na realidade meu contrato com a Secretaria Estadual da Educação só vai até 23 de dezembro. Depois disso não sei quais ventos me conduzirão e nem a qual destino.
Optei em transferir-me de um cenário de grandes transformações para um cenário a meu ver mais calmo e importante, embora mal remunerado, acreditando sinceramente que atuar no magistério pudesse contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas da região na qual nasci .
No entanto, algo gritante tem me chamado a atenção nessa nova atividade: a grande defasagem entre o tempo atual e o ponto em que se encontra a escola pública paulista. Isto pode ser visualizado comparando a escola pública paulista com a indústria, seja ela brasileira ou transnacional.
Tomaremos a situação apenas sobre alguns aspectos : Tecnologia, Relações Humanas, Sistema de Gestão e  Conteúdo .
Em termos de Tecnologia, a escola de hoje é quase a mesma de 30 anos atrás, senão vejamos. Ainda se usa giz , lousa e apagador. O controle de freqüência ainda é feito no Diário de Classe, o mesmo dos meus tempos de ginásio (tenho 54 anos de idade) , no qual o professor usa uma caneta e preenche cada quadradinho de uma folha quadriculada a cada aula para cada aluno. O controle de notas também continua da mesma forma, embora agora tenha alguns diferenciais: ninguém pode ser reprovado, pois isso significa menores bônus para  professores,coordenadores e diretores .Também existe agora um retrabalho de digitação para alimentar o sistema geral da secretaria estadual ,que de fato é o que vale (embora com infinitos erros gerados pela multiplicidade de meios geradores da mesma informação ) Cabe salientar que nos tempos remotos não havia bônus e só passava quem de fato tinha aprendido.
Na indústria de hoje os controles são todos informatizados. É cômico imaginar uma fábrica moderna controlando o ponto de seus funcionários manualmente e com todo o retrabalho que se vê na escola. Controle do professor,controle da secretaria, controle do sistema, controle do coordenador, etc...
Os conservadores de plantão hão de argumentar prontamente que faltam verbas para investir nas modernas tecnologias, o que não é verdade. O que na realidade falta é visão de quem administra estas verbas. A informatização de uma escola custaria muito pouco e se pagaria rapidamente . Imaginem uma roleta na entrada da escola, em que funcionários, alunos e professores passariam os seus crachás e automaticamente fossem registradas suas presenças, alimentando em tempo real,  os sistemas de informações, gerando as folhas de pagamento , os controles de freqüência dos alunos e muitas outras informações. Quantas horas de trabalho burocrático dos professores e das secretarias abarrotadas de gente seriam economizadas. A instalação de câmeras em pontos estratégicos também poderiam reduzir a necessidade de inspetores além de melhorarem a qualidade do serviço . A utilização de lousas digitais agilizariam o processo de apresentação dos conteúdos ,facilitariam a aprendizagem e eliminariam as improdutivas aulas de reforço realizadas nos refeitórios e nos pátios por falta de salas.
Com relação a defasagem tecnológica, talvez também valha a pena comentar que as salas de informática instaladas nas escolas já há alguns anos não ajudam em quase nada na aprendizagem. Primeiro, porque muitas delas não funcionam por falta de manutenção, e também em virtude do despreparo dos professores para o seu uso. A verdade é que ao contrário da indústria na qual os conhecimentos de informática são indispensáveis, na escola pouquíssimos professores sabem operar computadores.
Focando as Relações Humanas, embora devesse ser a escola o principal centro de referência, gerando padrões de conduta para a sociedade, o que se vê  são políticas antigas e inadequadas a realidade atual . Em vez de fortalecer as relações pessoais baseadas na inteligência emocional e no trabalho de equipe ,o que se vê é um individualismo exagerado em que cada um quer fazer da sua maneira, não havendo interação entre as pessoas e nem se acatando sugestões de melhoria dos métodos. Assim sendo, não  ocorre a formação de um time coeso e produtivo. O que se vê são condutas protecionistas de acordo com as “panelas” formadas por grupos que vão surgindo naturalmente de acordo com as semelhanças de caráter. Isso prevalece inclusive nas atribuições de aulas pelos diretores.
Sei que os defensores dos métodos atuais hão de dizer que hoje os alunos têm liberdade e que o professor não é mais o ditador autoritário de antes. Concordo com isso e que de fato a democracia é melhor que a ditadura, porém ainda faltam controles e parâmetros de conduta para todos os envolvidos . A verdade é que cada um faz do jeito que quer.
Enquanto na Gestão Moderna das Empresas, se multiplicam e sofisticam cada vez mais os Sistemas de Qualidade com métodos simples, enxutos e organizados que garantem a qualidade dos produtos ou serviços, na escola estes não existem. A abordagem dos problemas é quase sempre errônea, sem investigação das causas. Com isso as soluções não passam de “eliminação de incêndio”, e com certeza eles voltarão a acontecer. Faltam ações corretivas e preventivas para que os problemas não mais ocorram. Cabe salientar que isto é válido para tudo que envolve a escola: a disciplina dos alunos, a conduta dos professores e funcionários  a manutenção dos equipamentos etc . A “gambiarra” impera na escola.
Completando esta análise comparativa vamos falar dos conteúdos dos currículos, daquilo que se ensina na escola. Também existe uma distância grande entre o que a escola passa e o que de fato se utiliza na vida prática. Nas aulas de matemática, por exemplo, se aprende sobre tabelas logarítimas e leis trigonométricas, porém ninguém sai da escola sabendo controlar os próprios gastos. O brasileiro médio não sabe poupar e nem mesmo gastar menos do que ganha. Vive endividado, com o saldo do cartão de crédito, do cheque especial ou da conta da mercearia sempre estourado. Nas aulas de geografia ele aprende sobre os continentes, porém mal sabe consultar um mapa ou seguir um guia. Nas aulas de língua portuguesa aprendem sobre literatura clássica porém poucos conseguem identificar as características meramente comercias das novelas da televisão . Enfim falta ao conteúdo ensinado na escola uma equiparação ao sistema de vida atual em que a tecnologia e a comunicação imperam.

Assim sendo, resta-nos concluir que é necessária uma revolução geral na educação. Um choque de modernidade nas instalações, nos sistemas e principalmente nas pessoas que  trabalham nesse meio.  É preciso sair do meio comum e interagir com os outros setores e com as comunidades internacionais, mesmo porque na educação perdemos até mesmo apara nossos vizinhos sul-americanos. Enfim está na hora de sair dessa toca.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

ZÉ CAVALCANTE -ESTÓRIAS DO MEU IRMÃO

Zé Cavalcante-foto anos 70  

José Ferreira Cavalcante era meu irmão. Era dois anos mais velho que eu, porém crescemos juntos  e frequentamos a mesma escola até os 11 anos. Nesta idade em que completamos a 4ª série do primário, ele quis parar de estudar. Naquela época em Tapiraí, só havia o grupo escolar no qual se completava no máximo a 4ª série, e a educação se divida em Primário, Ginásio, Colegial e Superior.  Portanto,  quem quisesse cursar o ginásio tinha que viajar a Piedade todos os dias. E naquela época não havia nenhuma ajuda governamental para isto. Eram os pais que tinham que arcar com as despesas de transporte, numa estrada de terra e mal conservada, em que se levava 90 minutos para percorrer os 38 km. Pior que isto, as escolas não ofereciam merenda, e tínhamos que levar dinheiro para o lanche. Assim, naquela época só os mais abastados estudavam além do primário. Apesar da disponibilidade de meu pai em bancar nossos estudos, o Zé, que era como chamávamos meu irmão, não quis continuar estudando. Então passei a estudar sozinho em Piedade enquanto  ele permanecia em Tapiraí, ajudando no comércio e nos trabalhos do sítio, onde criávamos gado. Somente uns 5 anos mais tarde, quando instalou-se em tapiraí  o curso ginasial, foi  que ele resolveu frequentá-lo concluindo além deste o colegial.
Pois bem, o Zé sempre foi um cara inteligente, que obtinha boas notas na escola, porém tinha uma  personalidade  voltada para o comodismo, sem muita gana de lutar , o que acabava colocando-o em situações de grande aperto.. Assim contentava-se com uma vida simples, sem muita responsabilidade e com poucos olhos para as consequências da sua falta de atitudes. Assim sua vida foi pautada por acontecimentos que flutuaram entre a comédia e o drama, sempre ligados a sua falta de cuidados. São algumas destas estórias que eu quero aqui contar-lhes.
De certa feita, o Zé resolveu montar um time de futebol . Para tanto convidou alguns amigos e sem qualquer treino ou providência maior o time estava formado. Marcou-se então o primeiro jogo amistoso para a cidade de Juquiá, para onde rumaram os atletas, alguns de caminhão e outros no carro do Zé que era um Maverick verde . Pois bem , tudo corria bem até o momento da volta. Ai, o caminhão seguiu na frente e o Zé saiu um pouco mais tarde. Durante o percurso, furou um pneu do Maverick. Quando foram trocá-lo perceberam que o estepe também  estava furado. Só então o Zé lembrou-se que havia  esquecido de mandar consertá-lo. Precisaram amanhecer na estrada, até que conseguissem uma carona na segunda-feira...
Mas  este mesmo Maverick , foi o astro de outros acontecimentos. De certa feita quando percorria o “descidão” do Turvo, a tampa do capô se abriu e tapou a visão d o Zé que perdeu o controle do veículo que chocou-se contra o barranco.
Depois do  Maverick , o carro do Zé foi um VW TL azul. Deste me lembro que , de certa feita, o Zé voltava de uma viagem a praia , quando furou um dos pneus. Na época o Zé gozava  de prestígio junto a mulherada, e o carro estava lotado de garotas. Ele era o único  homem. Prontamente o Zé se pôs na tarefa de tentar trocar o pneu, porém não conseguia nunca posicionar o macaco. Foram infinitas tentativas, até que um pedestre passasse pela estrada e indicasse  que ele estava tentando posicionar o macaco de ponta-cabeça...Este mesmo TL foi  destruído após um choque com os trilhos de uma estrada de ferro em Sorocaba, quando o Zé tentava ensinar uma namorada à dirigir.
Além do Maverick e do TL, o Zé foi dono de um Opala amarelo, o qual teve os 4 pneus roubados numa madrugada em que ele largou o carro na estrada porque quebrou.
Um pouco mais velho, já casado, o Zé prestou concurso público na polícia civil e foi trabalhar de carcereiro na cadeia de Piedade. Tornou-se muito querido pelos presos, mesmo porque foi no seu período de trabalho que ocorreram ali as maiores fugas. Provavelmente por alguns descuidos do Zé.
Mas a estória do Zé teve um trágico fim. Morreu aso 50 anos, com dois tiros nas costas. A polícia até hoje não esclareceu o crime e ninguém foi punido por isto. Mais um descuido na trajetória da vida do meu irmão Zé.
Resta contar um último detalhe : o Zé nunca tirou carteira de motorista.